Afinal, quem foi e é Rudolf Laban?

Atualizado: 22 de fev.


Rudolf (Jean-Baptiste Attila) Laban, também conhecido como Rudolf Von Laban (15 de Dezembro de 1879, Pressburg, Áustria-Hungria (atual Bratislava, Eslováquia) - 1 de Julho de 1958, Weybridge, Inglaterra). Os pais de Laban eram hungáros. A família de seu pai tinha como origem a França e a de sua mãe a Inglaterra. Seu pai foi um Marechal que serviu como Governador das províncias da Bósnia e Herzegovina. Dançarino, coreógrafo, considerado como o maior teórico da dança do século XX, dedicou sua vida ao estudo e sistematização da linguagem do movimento em seus diversos aspectos: criação, notação, apreciação e educação.

Laban inicialmente estudou Arquitetura na "Escola de Belas Artes de Paris", interessando-se pela relação entre o movimento humano e o espaço que o circunda. Aos 30 anos mudou-se para Munique e sob a influência seminal do dançarino/coreógrafo Heidi Dzinkowska passou a se dedicar à arte do movimento.

Em 1915 Laban criou o Instituto Coreográfico de Zurique, que teve ramificações na Itália, na França, e na Europa central. Em 1928 publica "Kinetographie Laban", uma de suas grandes contribuições para o mundo da dança e da compreensão do movimento. Neste livro articula os princípios da "Labanotation" um dos principais sistemas de notação de movimento utilizados atualmente.



O retângulo ao centro representa a posição estática, as figuras ao redor representam movimentos para frente, para trás, para direita, para esquerda e para as quatro diagonais.

Suas teorias sobre o movimento e a coreografia estão entre os fundamentos principais da Dança Moderna e fazem parte de todas as abordagens contemporâneas de dança. Além de seu trabalho criativo e de análise da dança, Laban também se dedicou à realização de propostas de dança para as massas. Desenvolvendo com esta finalidade a arte da dança coral, onde grande número de pessoas se movem juntas segundo uma coreografia de estrutura simples, porém instigante, que permita bailarinos e pessoas leigas dançarem juntas de forma colaborativa.

Este aspecto de seu trabalho se relaciona intimamente com suas crenças espirituais pessoais, baseadas numa combinação da Teosofia Vitoriana, do Sufismo e do Hermetismo popular no final do século XIX. Em 1914 aderiu à "Ordo Templi Orientis" e compareceu à sua conferência de 1917, no Monte Verita, em Ascona, onde realizou workshops popularizando suas idéias.

De 1930 a 1934 foi diretor da "Allied State Theatres" em Berlin, em 1937 foge do Nazismo indo para Manchester, na Inglaterra redirecionou o foco de seu trabalho para a industria, estudando o tempo e a energia despendida para realizar as tarefas no ambiente de trabalho. Desenvolveu assim, métodos que auxiliassem os operários a se concentrar nos movimentos construtivos necessários para a realização de seu trabalho, publicando os resultados de sua pesquisa no livro "Effort" (1947) após a Segunda Guerra Mundial. Continuou a ensinar e a realizar pesquisas no país até a sua morte e entre seus discípulos destacam-se Mary Wigman e Sophie Taeuber-Arp. Atualmente, coreógrafos como Pina Bausch e William Forsythe, também trabalham na mesma linhagem.


O Estudo do Movimento


Junto com o industrial F.C. Lawrence, desenvolveu uma metodologia de análise do movimento - "Effort-Study" (estudo dos esforços). Esta abordagem, apesar de ter sido direcionada primeiramente para a seleção e treinamento de operários, possibilitou uma melhor compreensão da movimentação humana geral.

A partir deste estudo, Laban chegou à formulação de uma minuciosa análise dos elementos de movimentos e suas combinações. Atribuiu o nome de Corêutica ao estudo da organização espacial dos movimentos, e de Eukinética ao estudo dos aspectos qualitativos do movimento (como seu ritmo e dinâmica).

As concepções expressas por Laban sobre o movimento humano causaram grande impacto e passaram a influenciar os trabalhos desenvolvidos em áreas tão diversas como Educação, Psicologia, Fonoaudiologia, Teatro, Dança, Música, Artes e Educação Física. Juntamente com sua colaboradora, Lisa Ullmann, passou a aplicar estes conceitos na dança educativa.

Na Inglaterra, a Dança passou a fazer parte do currículo das escolas a partir da década de 40 e, nos Estados Unidos, das escola elementar às universidades, o Sistema Laban se constitui como o saber mais difundido.

Até hoje seus ensinamentos continuam sendo transmitidos no mundo inteiro através de Centros e Universidades, as instituições Laban de maior importância são o LABAN, em Londres e o Laban/Bartenieff Institute of Movement Studies, em Nova Iorque.

No Brasil Laban é mais conhecido como teórico do movimento e educador, mais recentemente, seu trabalho vem recebendo um olhar mais aprofundado sob a perspectiva da arte, da criação estética, da linguagem da dança e da comunicação nao-verbal.

A bailarina, coreógrafa e educadora Maria Duschenes foi uma das introdutoras deste método no Brasil, tendo formado gerações de alunos que utilizam a referência de Laban em seus trabalhos de criação e em suas atividades de arte-educação. Em seu trabalho destacam-se as propostas de ensino público de dança e a realização de diversas danças corais, inclusive uma apresentada no Parque do Ibirapuera na Bienal de São Paulo.

A coreógrafa Regina Miranda, primeira Brasileira formada pelo Laban/Bartenieff Institute de NYC (1975) introduziu o Sistema Laban/Bartenieff no Brasil e, desde então, tem se dedicado à difusão de suas teorias através de palestras e workshops e inumeras criações artisticas. Toda uma geração estelar de coreógrafos cariocas, como Paula Nestorov, Paulo Caldas, João Saldanha, Esther Weissman, Lia Rodrigues, Marcia Rubin e Carlinhos de Jesus, estudou e/ou trabalhou com Miranda, que hoje divide residência entre o Rio de Janeiro, onde dirige o Centro Coreográfico, e Nova Iorque, onde é a Diretora Geral do Laban/Bartenieff Institute.

A importância dos trabalhos de Rudolf Laban nas áreas de arte, comunicação, psicologia, educação, arquitetura já receberam reconhecimento universal, centros universitários, de arte, de educação e companhias de dança na Inglaterra, Estados Unidos, França, Canadá, entre outros, adotam e trabalham com os referenciais de Laban há pelo menos meio século. A abordagem da dança sob uma perspectiva labaniana permite ao artista e ao leigo compreender, desconstruir e transformar a arte da dança em seus aspectos coreográficos, técnicos e de fruição.

Tendo desenvolvido seus trabalhos sobre movimento na primeira metade do século XX, é mister que hoje sua visão e idéias sejam rediscutidas e relidas sob uma perspectiva contemporânea. Desse modo, o trabalho de Laban não se perdeu no passado e continua a contribuir para a dança presente e futura.

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