Corpo e Moda: performance estadosDEpassagem na Ladeira da Memória



Formas, texturas, contextos e especificidades são as palavras que marcam a performance “estadosDEpassagem” do Coletivo TraçaUrbana. A performance trouxe aos olhos e à experiência os diferentes usos de um material que faz parte do nosso dia-a-dia, nossa segunda pele, o tecido.


Tecido este que pode ser utilizado como vestimenta, como decoração e também em usos domésticos, como o pano de chão por exemplo. Enfim todas as formas de utilização sofrem contaminações a partir de seu tempo, de sua época, e está sempre relacionado a uma cultura.




Neste sentido, o tecido é também apreensão da cultura, de forma a conter em si marcas e rastros de uma civilização, de valores e costumes adotados por um povo em seu cotidiano. Suas cores, formas de nós e costuras revelam modos de produção e os usos de diferentes materiais complementares em sua confecção.


A performance traz também o sensorial, o contato com estados corporais e encenações que foram construídas através de cada peça de roupa e tecido, retirando deles o elemento cultural e emocional existente em cada peça.



Relevante perceber que a performance traz não somente os diferentes panos com suas texturas e usos, mas revela uma memória cultural que habita e se atualiza sob o corpo, sob a pele, dando lugar à uma cultura que tece, abre buracos, que tinge e que se constrói ali em sua superfície e no contato, na relação do corpo com estes panos.


Uma cultura que é passado-presente e que se atualiza neste entre, neste novo e outro que é por vir a ser, um futuro que se faz e refaz, que se costura e se descostura, que veste e desveste o corpo.


O pano é memória, é cultura, é corpo, é gente.

por Dani Greco


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