[crítica] Musical "ELZA" - Duda Maia


A força da mulher negra se resume em sua luta diária de vida e sangue, a força da mulher se resume em sua própria condição do ser, do querer, do fazer, do não se importar com suas fraquezas.


Dirigido por Duda Maia, o musical “Elza” é uma obra para que não esqueçamos do poder gerador que a mulher possui. No palco, atrizes negras, com diferentes corpos, não importando altura e peso; na banda, mulheres em seus instrumentos fazendo da arte, sua luta.


No espaço do palco italiano, as atrizes quebram a quarta parede contando a história da mulher que foi e é, Elza, sua importância para o cenário musical brasileiro e para o cenário atual feminino e negro. O público é carregado pelas lindas canções de Elza e pela perfeita interpretação de 6 atrizes em seu papel, contando com o protagonismo e verossimilhança de Larissa Luz, que quando abre a boca pela primeira vez, encarna Elza bem ali a frente de seu público.


Unidade entre os corpos, entre corpos e elementos cênicos, entre corpos e iluminação, entre corpos e música. O musical á a ver o trabalho de preparação corporal para a cena, visto que o corpo é colocado em destaque, através das propostas de refinamento e finalizações de gestos e os tônus utilizados para cada unidade cênica.


Sendo dramatizado em forma de jogo entre as atrizes, que se alternam pelas histórias de Elza, cada uma com suas características e momentos, o musical traz uma linha de corpo firme e sustentada, que se estende para a fala, voz e respiração, para que se enxergasse um mesmo caminho de presença nas atrizes, se tratando de falar a mesma fala: a personagem e mulher, Elza.


A cenografia, toda feita por baldes de vários tamanhos, reproduz e transforma o espaço a cada cena, hora são parte do figurino, hora parte do cenário, hora são instrumentos musicais, elementos cênicos estes, que mesmo ressignificados, contam histórias através de seus próprios signos. Eles também permitem a construção de marcações inusitadas que proveem de relações espaciais desenvolvidas a partir de propostas de estudos de corpo e níveis, provavelmente pesquisadas em ensaio através da proposta de trabalho de Duda Maia.


Assim, o espetáculo arrebata o público pelo nível técnico de corpo que é apresentado, 6 corpos mestiçados pela interpretação, som e movimento, que se transforma a cada cena, mantendo sempre a mesma linha ´Elza de ser´, uma mulher forte, com um centro de gravidade potente, uma relação espacial acolhedora e ao mesmo tempo larga e dilatada, fazendo deste musical uma aula de presença cênica com qualidades estéticas bem firmadas. É como se a direção quisesse mostrar ao público que o corpo na relação com a cena, é a mulher que sobreviverá ao fim do mundo.


por Dani Greco

*eu havia agendado esse post há um mês, e a data parece ter sido escolhida como uma prévia homenagem, sem mesmo eu saber que Elza passaria.

















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