Espaço-Tempo*

“As atividades do espaço são o fazer e o dançar.”

Rudolf Laban (MIRANDA, 2008, pg. 7)


Espaço vazio. Espaço cósmico. Espaço cênico. Espaço de criação. Espaço público. Espaço interno. Espaço de discussão. Organização espacial. Espaço privado. Espaço mental, isento de medidas. Espaço como lugar, como território, moradia. São muitas as formas atribuídas para a palavra “espaço”, ela está sempre pronta para assumir configurações diferentes.



A palavra espaço é dotada de uma imensa plasticidade, porém, desde que Euclides a formulou na Grécia por volta de 300a.C em seu livro “Os Elementos”, sua representação permaneceu a mesma até o século XIX. Neste tempo a geometria euclidiana exerceu influência e ainda exerce no pensamento científico e filosófico, tratando o espaço como um lugar geográfico/matemático nas medições de distâncias, áreas, volumes e ângulos, que nos vem a mente imediatamente.


Mas entre 1907-1915, foi descoberta por Albert Einstein a Teoria Geral da Relatividade, em que o tempo se junta as três dimensões euclidianas: cima/baixo (altitude), norte/sul (longitude) e leste/oeste (latitude), sendo este chamada quarta dimensão ou dimensão temporal. A partir daí outras geometrias foram surgindo, pluralizando e criando um espaço dinâmico, o qual se desdobra em múltiplas dimensões.


Ele está em constante mutação, não há apenas um objeto em um determinado lugar para ser descoberto, descrito ou revelado, o buraco visto pela geometria euclidiana como espaço vazio, integra este discurso. Aí temos a plasticidade, a contínua transformação entre uma expressão formal e outra.


Partindo desse princípio de plasticidade, o espaço em que convivemos todos os dias é o conjunto das modificações humanas na natureza. Porém, não podemos chamá-lo de espaço se tal local “vazio” não for habitado por humanos e se não houver relações humanas que constroem forças e movimentam as energias existentes neste vazio a todo instante. Ele então passa a ser um aspecto escondido do movimento, só nos resta saber explorá-lo, trasformá-lo e usá-lo a fim de estendermos nossas vivências a outros ao nosso redor.


Falando de relacionamento entre indivíduos através do espaço que os envolve e considerando que a mente e os sentimentos regem nossos movimentos, se temos a mente de Cristo, estes expressarão a ação da Trindade, expressarão princípios que regem o universo com maestria. Assim, movimentando-se junto à Trindade, o movimento toma novo valor e novas atribuições, comportamentos.


A arte-linguagem deste novo movimento nos permite não mais agir para o mundo, mas sim, agir COM o mundo, COM este espaço que nos rodeia - a nossa kinesfera, a qual tratarei em um dos tópicos do capítulo 3. Portanto, através do fruto do Espírito e de sua ação em nós, podemos transmitir curas emocionais, espirituais e físicas. Mas como?


“(...) nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo,

segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua

nos filhos da desobediência; (...)”. (Efésios 2:1-10)


Assim como a música tem repercussão sonora espacial, a dança também tem. Movimentamos o ar e energias - espaço vazio repleto de potencialidades -, onde o mundo espiritual se move, tanto o reino de Deus como o reino do mal.


Vemos nesta citação que a transformação e renovação da nossa mente com a aceitação de Cristo em nossas vidas muda todo um cenário pré-estabelecido, e agora podemos ter autoridade em Cristo para agir com toda a liberdade a qual o Espírito Santo age.


Nesse sentido, o que fazemos e colocamos no mundo ressoa e ecoa princípios, comportamentos, sentimentos, vida. Por isso que entender as relações espaciais e trabalhar com elas, nos faz avançar em propriedade na relação ‘ser no mundo’.


*Esse texto é parte do livro "METANOIA" de Dani Greco.

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